COMO TUDO COMEÇOU
(em 5 ATOS)
Tudo começou com um auto-desafio, cujas perguntas me açoitavam os neurônios durante meses produzindo sinapses desconexas, e que foram as seguintes:
O QUE É O SUCESSO?
COMO FAZER SUCESSO?
COMO MANTER O SUCESSO?
Minha primeira experiência de SUCESSO foi no campo da pedagogia (totalmente autodidata).

É verdade, e começou no playground do condomínio onde morava, em 1994. Resolvi escolher o adolescente mais delinquente que havia no prédio, que a partir de agora passarei a denominar como L. Ao chegar no play, encontrei L usando uma zarabatana com canudos com pequenas pedras nas pontas, que ele assoprava mirando nas janelas dos apartamentos do edifício vizinho ao meu.
L era o meu desafio
Tinha uma idéia de metodologia na cabeça, tomei coragem e bati na porta do apartamento onde ele morava. Eu já conhecia sua mãe e seu padrasto, que eram meus companheiros de jogos de tabuleiro nas sextas feiras com queijos e vinhos, mas mesmo assim não foi nada fácil conversar com a mãe dele. Quando propus-lhe dar aulas ao filho, ouvi dela que seria perda de tempo, pois já em março seu boletim era uma hemorragia generalizada, pleno de notas vermelhas. Insisti mesmo assim, até que ela se dobrou e perguntou quanto eu iria cobrar. Ficou surpresa com o preço de minha hora-aula e aceitou imediatamente.

[1º ATO] A CHEGADA DE L
L tocou minha campainha pontualmente na hora combinada. Ele estava muito ressabiado, olhando para o chão, e logo entrou pela cozinha sem me olhar nos olhos, pois sabia que era no quarto de empregada, transformado por mim em quartinho de estudos, que eu dava aula para alguns de seus amigos do condomínio. Interrompi seu curso e disse-lhe que sentaríamos na sala para conversar. Aí foi que o cara pirou geral. Não entendeu nada.
[2º ATO] O DESCONFORTO DE L
L sentou-se no sofá em frente a mim, que ocupei a poltrona tendo nas mãos uma prancheta com folhas em branco e uma caneta. Dava pra ver que ele estava completamente desestruturado psicologicamente pois eu subverti suas expectativas logo no primeiro dia. Porém, ele já me olhava com grande curiosidade. Eu havia quebrado nele um condicionamento que o torturava, certamente.
[3º ATO] A ENTREVISTA
Depois de tentar quebrar o gelo, perguntando-lhe sobre a escola e as matérias que mais gostava e que menos gostava (tudo sendo anotado), comecei a aplicar a técnica criada por mim, mas que só existia em teoria. Perguntei a L quais os jogos e brincadeiras de sua preferência, quais os esportes de sua preferência, quais os programas de TV e apresentadores, atores e atrizes de sua preferência, quais os desenhos animados e personagens de sua preferência, e quais os heróis e heroínas de sua preferência.
L ficou bolado geral. Se já não estava entendendo nada do que estava acontecendo, aí então começou a ter medo de mim, imaginando:
- Esse cara é maluco, doido varrido.
Ao final da entrevista, com tudo anotado, pedi-lhe que me trouxesse a grade das matérias da semana e o cronograma das próximas provas do mês, com seus cadernos e livros correspondentes. Prometi que os devolveria no dia seguinte pela manhã. Ele fez isso, disciplinadamente. Não posso imaginar seus pensamentos depois que despediu-se de mim para voltar para sua casa.
[4º ATO] AS AULAS MINISTRADAS POR MIM
Depois de ter selecionado e lido os livros das primeiras provas que já estavam marcadas, comecei a montar na cabeça os storyboards que faziam parte da minha louca idéia, e fui anotando os tópicos principais que me levariam a ter maior segurança nas performances que fariam parte do meu teatro educacional. Ao final desse processo, passei a ter a certeza absoluta de que o professor, para ter sucesso, além de domínio do assunto e de assuntos correlatos, precisa ser obrigatoriamente um animador cultural. Ministrei aulas de História Geral, Geografia, Matemática, Física, Biologia e Química. Em Português ele era bom. Bastaram alguns toques sobre análise morfológica e análise sintática.
[5º ATO] L E AS AULAS DAS SEMANA
Nos dias que se sucederam L apertava minha campainha com pontualidade britânica, quase germânica, pois começara a ter um motivo inexplicável para frequentar as aulas e para estudar sozinho. Nunca se atrasou, desde a primeira aula iniciada em abril. A aplicação da técnica de mesclagem, nas aulas, dos elementos inerentes a cada matéria com os elementos identificados e valorizados pelo aluno no campo de seu emocional, atuavam como o movimento do tear de um tapete de kilim persa, funcionou com muito sucesso. A comprovação disso foram os resultados de suas provas a partir de abril.
Eu havia encontrado o segredo do sucesso na pedagogia. Ali estava nascendo o embrião de uma metodologia simples, que iria me dar grande satisfação pessoal no futuro. Daí para o MARKETING EMOCIONAL avaliado, questionado e recriado por mim, foi apenas um pulo, mas que demandou muita observação e registro de reações de clientes em estabelecimentos de variadas atividades econômicas em que eu entrava como cliente ou pesquisador.
AH, A PROPÓSITO, L PASSOU POR MÉDIA EM TODAS AS MATÉRIAS NO FINAL DO ANO E SUA MÃE ME SURPREENDEU, DEMAIS DA CONTA, DANDO-ME COMO PRESENTE, POR TER CONSEGUIDO OBTER PARA SEU FILHO UM RESULTADO QUE PARA ELA ERA IMPROVÁVEL E IMPOSSÍVEL, UMA PEÇA DE BAIXELA DE PRATA MUITO BONITA, QUE EU EM MINHA IGNORÂNCIA SOCIAL E VALORIZAÇÃO ÚNICA DA PRATICIDADE DAS COISAS DA VIDA, ACHEI SE TRATAR DE UM TIPO DE LÂMPADA DE ALADIM, MAS QUE NA VERDADE TRATAVA-SE DE UMA MOLHEIRA.
L tocou minha campainha pontualmente na hora combinada. Ele estava muito ressabiado, olhando para o chão, e logo entrou pela cozinha sem me olhar nos olhos, pois sabia que era no quarto de empregada, transformado por mim em quartinho de estudos, que eu dava aula para alguns de seus amigos do condomínio. Interrompi seu curso e disse-lhe que sentaríamos na sala para conversar. Aí foi que o cara pirou geral. Não entendeu nada.
[2º ATO] O DESCONFORTO DE L
L sentou-se no sofá em frente a mim, que ocupei a poltrona tendo nas mãos uma prancheta com folhas em branco e uma caneta. Dava pra ver que ele estava completamente desestruturado psicologicamente pois eu subverti suas expectativas logo no primeiro dia. Porém, ele já me olhava com grande curiosidade. Eu havia quebrado nele um condicionamento que o torturava, certamente.
[3º ATO] A ENTREVISTA
Depois de tentar quebrar o gelo, perguntando-lhe sobre a escola e as matérias que mais gostava e que menos gostava (tudo sendo anotado), comecei a aplicar a técnica criada por mim, mas que só existia em teoria. Perguntei a L quais os jogos e brincadeiras de sua preferência, quais os esportes de sua preferência, quais os programas de TV e apresentadores, atores e atrizes de sua preferência, quais os desenhos animados e personagens de sua preferência, e quais os heróis e heroínas de sua preferência.
L ficou bolado geral. Se já não estava entendendo nada do que estava acontecendo, aí então começou a ter medo de mim, imaginando:
- Esse cara é maluco, doido varrido.
Ao final da entrevista, com tudo anotado, pedi-lhe que me trouxesse a grade das matérias da semana e o cronograma das próximas provas do mês, com seus cadernos e livros correspondentes. Prometi que os devolveria no dia seguinte pela manhã. Ele fez isso, disciplinadamente. Não posso imaginar seus pensamentos depois que despediu-se de mim para voltar para sua casa.
[4º ATO] AS AULAS MINISTRADAS POR MIM
Depois de ter selecionado e lido os livros das primeiras provas que já estavam marcadas, comecei a montar na cabeça os storyboards que faziam parte da minha louca idéia, e fui anotando os tópicos principais que me levariam a ter maior segurança nas performances que fariam parte do meu teatro educacional. Ao final desse processo, passei a ter a certeza absoluta de que o professor, para ter sucesso, além de domínio do assunto e de assuntos correlatos, precisa ser obrigatoriamente um animador cultural. Ministrei aulas de História Geral, Geografia, Matemática, Física, Biologia e Química. Em Português ele era bom. Bastaram alguns toques sobre análise morfológica e análise sintática.
[5º ATO] L E AS AULAS DAS SEMANA
Nos dias que se sucederam L apertava minha campainha com pontualidade britânica, quase germânica, pois começara a ter um motivo inexplicável para frequentar as aulas e para estudar sozinho. Nunca se atrasou, desde a primeira aula iniciada em abril. A aplicação da técnica de mesclagem, nas aulas, dos elementos inerentes a cada matéria com os elementos identificados e valorizados pelo aluno no campo de seu emocional, atuavam como o movimento do tear de um tapete de kilim persa, funcionou com muito sucesso. A comprovação disso foram os resultados de suas provas a partir de abril.
Eu havia encontrado o segredo do sucesso na pedagogia. Ali estava nascendo o embrião de uma metodologia simples, que iria me dar grande satisfação pessoal no futuro. Daí para o MARKETING EMOCIONAL avaliado, questionado e recriado por mim, foi apenas um pulo, mas que demandou muita observação e registro de reações de clientes em estabelecimentos de variadas atividades econômicas em que eu entrava como cliente ou pesquisador.
AH, A PROPÓSITO, L PASSOU POR MÉDIA EM TODAS AS MATÉRIAS NO FINAL DO ANO E SUA MÃE ME SURPREENDEU, DEMAIS DA CONTA, DANDO-ME COMO PRESENTE, POR TER CONSEGUIDO OBTER PARA SEU FILHO UM RESULTADO QUE PARA ELA ERA IMPROVÁVEL E IMPOSSÍVEL, UMA PEÇA DE BAIXELA DE PRATA MUITO BONITA, QUE EU EM MINHA IGNORÂNCIA SOCIAL E VALORIZAÇÃO ÚNICA DA PRATICIDADE DAS COISAS DA VIDA, ACHEI SE TRATAR DE UM TIPO DE LÂMPADA DE ALADIM, MAS QUE NA VERDADE TRATAVA-SE DE UMA MOLHEIRA.
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